
foto, 2010, josé
dizem que o que caminha
procura outros dias
outros olhos onde adormecer-
e o que acolhe estrelas
torna-se ainda mais errante
secreto abismo de mil feridas
de mil golpes de punhais
na mortalha irreal do tempo
dizem que as casas e os barcos
conhecem lado a lado
todas as contradições do mundo
todas as sombras degoladas
de quem ama e rema na água
até que o mundo o esqueça
nada disto sei
eu que vivi nestas casas
eu que amei nestas árvores
o despido tronco dos outonos
eu que encontrei nestes barcos
os sonhos perdidos dos argonautas
e o suor dos seus corpos cansados
eu que disse “amo-te”
como uma sentença de morte
lida em voz monótona
como quem lê um poema
e ensurdece ao lê-lo
vieram agora os dias quentes
e eu espero nestes barcos parados
que alguém me diga o que eu disse
2010, josé
Myndir á þili - Allt með sykri og rjóma
https://youtu.be/R1rqEQbMDbU
dizem que o que caminha
procura outros dias
outros olhos onde adormecer-
e o que acolhe estrelas
torna-se ainda mais errante
secreto abismo de mil feridas
de mil golpes de punhais
na mortalha irreal do tempo
dizem que as casas e os barcos
conhecem lado a lado
todas as contradições do mundo
todas as sombras degoladas
de quem ama e rema na água
até que o mundo o esqueça
nada disto sei
eu que vivi nestas casas
eu que amei nestas árvores
o despido tronco dos outonos
eu que encontrei nestes barcos
os sonhos perdidos dos argonautas
e o suor dos seus corpos cansados
eu que disse “amo-te”
como uma sentença de morte
lida em voz monótona
como quem lê um poema
e ensurdece ao lê-lo
vieram agora os dias quentes
e eu espero nestes barcos parados
que alguém me diga o que eu disse
2010, josé
Myndir á þili - Allt með sykri og rjóma
https://youtu.be/R1rqEQbMDbU
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