
foto, 2016, josé
sou aquele
que abre nos braços
voos de longínquos pássaros
e escuta na noite
outros passos outros espaços
e com palavras estranhas
descreve palácios assombrados
não venho de abissínias
nem de abismos e absintos
na minha boca amputada
o azul é azul cadáver das cores
mar seco e deserto salgado
em que durmo sonos de escorpião
à luz das velas
todos fantasmas são possíveis
os que caem de bruços
no charco da morte
e os que espreitam à janela
como árvores voadoras no vento
sei que no meio do deserto
os camelos são miragens
são mitos
que atravessam a história
e falam línguas de mercadorres
entre tempestades de areia
sem eles estou perdido
no meu dialecto de palavras de areia
que secam a garganta
e a deixam amarrada
a uma estranha sede
como alguém que bebe o seu sangue
entre um oceano de areia
e um oceano de nada
30/6/2019, josé
música
Ghédalia Tazartès, Bruno Letort, Cube Quartet, Etenesh Wassié - Semelles de vent (Cubic Series #13)
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