foto, 2019, josé
escrevo palavras
na imensidão da partida
um mar perdido
banha as minhas mãos
em ondas cansadas
habito nas ilhas sombrias
que foram antigas leprosarias
o meu rosto tocado pela dor
tem a pele crestada da voz do vento
e reconhece em cada sombra
a sarça ardente de um mundo inexistente
escrevo palavras
como se remasse
num velho barco de madeira podre
e nele marinheiro
de um ulisses há muito chegado a casa
ouvisse pela última vez
a voz da sereia que o encantou
que o afogou
2019, josé
música
Hildur Gudnadottir - Elevation [Touch]
https://youtu.be/GOyIs9gSCRs
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